Reuniremos aqui os Poetas Integralistas, os antigos e os novos, pois, sem Poesia, não há Integralismo!
sábado, 11 de fevereiro de 2017
A Grande Hora
domingo, 4 de março de 2012
Quarto Congresso Nacional do Integralismo: SUCESSO!
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Quarto Congresso Nacional do Integralismo
sábado, 12 de novembro de 2011
TROVAS INTEGRALISTAS
mostra o peito varonil,
antes que o mal aconteça,
salvaremos o Brasil!
vivemos sempre à luz
dos grandes heróis, da história
da terra de Santa Cruz!
no território e na gente!
O peito de Bandeirante,
coração de Inconfidente!
de Deus, da Pátria e Família
e nossos peitos sacrários
de tão santa trilogia.
do crime a torpeza enorme,
nenhum de nós assassina
o companheiro que dorme.
NATAL (1935)
Luzes, flores, música, alegria na casa do menino rico.
Na casa do menino pobre, a luz, quando não é de querosene, brilha menos. A música quando não é a surdina de um violão sentimental, é o eco longínquo e apagado de sons, que o rico não pode impedir que se escape de suas salas. As flores, ainda em botão, são iguais em todas as casas pobres, porque em todas elas existem muitas crianças. A alegria, é um soluço abafado da incerteza do dia de amanhã.
Hora de dormir !...
O menino que usa roupinhas de seda, calça sapatinhos de verniz e dorme aconchegado em almofadas, coloca seu sapatinho à janela, na certeza de que o papai Noel o transbordará, como nos outros anos, dos mais lindos e ricos brinquedos.
O menino que se veste de andrajos e calça sapatinhos, cujas solas são a pele de seus pesinhos, coloca-os à janela, na esperança de que papai Noel, desta vez, e não como nas outras, não deixe de contemplá-lo com uma prenda, ao menos aquela que não sirva para ser manuseada pelo seu vizinho.
Ambos dormem ! Dormem e sonham...
Um, tem o sonho cor de rosa, que devem ter todas as crianças. Na noite de Natal, o menino dos sapatinhos de verniz, tem o sonho daquilo que vai lhe suceder no instante em que o sol nascer para todos.
Antes, porém, que o rei astro doire por igual as cabecinhas das crianças, o menino entre as almofadas, já brinca com tambores, corneta, velocípedes e toda uma coorte dos mais variegados divertimentos infantis.
O outro, sonha também ! Mas o seu sonho é diferente... Sonho do desejo que pode não ser satisfeito ! É o sonho daqueles que jogam tudo, na esperança de salvar um tesouro que periclita.
Amanhece ! O sol divide-se e sub-divide-se numa ânsia de tudo iluminar com a mesma intensidade, e tudo reluz igualmente na natureza...
Os sonhos realizaram-se ! O menino que mora no palacete, brinca com os presentes que ele vira em sonho, e o menino que mora no barracão, vê confirmadas as suas incertezas, transborda pela vertente de seus olhitos as lágrimas de um anseio insatisfeito e diz para o íntimo de sua amargura: “Papai Noel só gosta dos meninos ricos !”
Assim, a criança que até então, nunca se havia preocupado com seu eu, mas somente com as coisas que a rodeavam, começa a sentir revolta íntima pela injustiça dos homens.
domingo, 5 de setembro de 2010
A Revolução Necessária
![]() |
| Capa do raríssimo "Anauê!", obra de Poesia Integralista do saudoso Companheiro José Mayrinck de Souza Motta. |
sábado, 28 de agosto de 2010
PALAVRAS AO MAR
Eu não gosto de ti, és maior do que eu
Na cólera, na raiva e na maldade!
Se, às vezes, fico a olhar a imensidade
Das tuas águas, tremo e peço ao Céu
Que te extingua!
Tu não cantas - regougas!
Tu não choras - blasfemas!
Se nas praias, nos dias de verão,
Te mostras esplendoroso,
É para lamber os corpos nús
Li...bi...dinoso!
Traiçoeiro,
Das cem mil galeras que destroças,Assasinas cem milh~es de marinheiros.
Covarde!
E dizem que tu amas,
Que vives enamorado de alguém
Que te não quer,
Porque és mau!
Nunca mitigaste a sêde de ninguém,
Cruel!
- Eu amo a límpida corrente,
Que se oculta medrosa,
Que canta e chora, que soluça e geme,
Que dá de beber aos que têm sêde,
Que acaricia a face austera
Dos barrancos e das ribanceiras!
Que beija os pés das crianças
E lava roupa com as lavadeiras...
A essa, sim, oh! velho Mar, eu amo!
Porque detesto os orgulhosos e os tiranos!
E POR TODOS OS SÉCULOS DOS SÉCULOS...
Versos aos que vacilam
Mayrink
Desta luta sem fim, ninguém deserta!
Trazes as mãos de sacrifícios cheias:
Não é possível que afinal descreias
da Vitória do Bem – porque ela é certa!
Como se faz a um caramujo, aperta,
no ouvido d’alma, a Pátria – e, em tuas veias,
sentirás saudades das cadeias
e a voz dos Mortos te dizendo – Alerta!
Por sobre o tremedal do conformismo,
atira a tua Fé no Integralismo
- puro e distante como a luz de um astro:
Eu só posso enrolar a bandeira,
a que entreguei uma existência inteira
- para crucificar-me no seu mastro...
TRANSFORMAÇÕES
A. Lorenzzoni*
"Quem passou pela vida em branca nuvem,
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça
Quem passou pela vida e não sofreu;
Foi espectro de homem, não foi homem
Só passou pela vida, não viveu”.
Francisco Otaviano
(1825 - 1889)
As batalhas e adversidades,
Sobretudo (e por quê não? ) as felicidades
Escuso-me agora.
Não cabe aqui,
Em poucas palavras.
Esta que envio-te por hora
É apenas uma carta.
Longa história se demora;
E como não estou vendo teus olhos,
Recuso-me a contar.
Interessa apenas o vazio que senti...
Sombrio como vagalhões
Em negras tempestades,
Que arrebatam e afogam o solitário navio.
[Velejava
Sem rumo
Imenso oceano
Sem perspectiva]
Tão diminuta cultura...
Falta-me o Latim.
E onde estão os símbolos pátrios
Que deveriam ornar vestes,
carros e jardins?
Tão estranhas pessoas...
Respeito, discrição, dignidade
Parecem ter se dissipado
(Quase sepultados!)
Entre brumas formadas
Pelos excessos materiais,
Vícios, agitações,
Apostarias e liberalidades.
E onde estão as artes e memórias
De ilustres brasileiros
Nossos antepassados?
Tão misteriosa vida...
Segui também o caminho atraente,
Despojado de preceitos morais.
Abandonei virtudes,
Neguei tradições.
Acreditei numa falsa liberdade;
Tardiamente percebo os grilhões.
Onde está minh’alma?
Alquebrada...
Deixei-a muito tempo à deriva,
Como aquele navio.
É então deste vazio que te falo...
Acabrunhada...
Voltei-me ao passado.
Descobri fortalezas;
Desejos íntegros,
Ideais sinceros.
Apoderaram-se do meu pensamento
Esses novos e nobres sentimentos.
Ocupam, gradativos, o vazio.
E já consigo entrever um futuro gentil.
Mas, tencionava eu ser breve...
Então apresso as despedidas.
Em tempo, previno-te ainda:
Urge indicar-nos a direção
Ao quebrantado navio!
(Onde está nosso Brasil?)
* Σ – Curitiba – PR
O LIVRO
Plínio Salgado.
O livro é um forte guerreiro,
É um rijo batalhador...
Domina o Universo inteiro
Com formidável vigor,
Responde augusto e altaneiro
Cheio de um vivo fulgor !
O livro é um forte guerreiro...
Nas mais tremendas batalhas,
Nos conflitos das nações,
- Mais forte que mil fornalhas
Das forjas de mil titões.
-Tem mais valor que as metralhas,
Tem mais valor que os canhões
- Nas mais tremendas batalhas!
O livro é um forte guerreiro...
Nas mais tremendas batalhas...
Na São Paulo de Ontem
Victor Emanuel Vilela Barbuy*
Manhã. Sol. Gotas de orvalho. Sobre as flores do jardim.
Jardim modesto de meu sobradinho.
Um aeroplano passa voando pelo céu de translúcido azul.
Um bonde leva namorados para "pic-nics" na Represa de Guarapiranga.
Em Santo Amaro. O meu Santo Amaro. De onde vem este vento fresco.
Centro da Paulicéia. Rua XV de Novembro. Passantes apressados.
Jornaleiros. Um almofadinha passa numa baratinha. Fon-fon.
Charretes. Carroças. Bondes. Mais baratinhas. Um Rolls-Royce.
É de um grã-fino. Paulista dos quatro costados. Quatrocentão.
Frisa no Municipal. Palacete nos Campos Elíseos. Estilo neoclássico.
Jardins italianos. Gárgulas. Chafariz. Ciprestes. Móveis vindos de França.
Lustres de cristal de Baccarat. "Aubussons". "Gobellins". Jarrões de Sèvres.
Se dirige ao Automóvel Clube. O "chauffeur" é italiano.
Bairro operário. Chaminés cospem fumaça. Apitos.
Um vassoureiro passa com seu pregão. "Liberté, égalité, vassouré".
Crianças brincam. Amarelinha. Um fonógrafo. Ecoa a voz de Caruso.
Verdi. "Rigoletto". "La donna è mobile". Outro gramofone. Chora um tango.
Argentino. Triste. De volta ao Centro. Arranha-céus.
Quando ficar pronto o Martinelli será o maior arranha-céu.
Fora dos Estados Unidos. São Paulo não pára.
É a Chicago da América do Sul. Maior centro industrial. Da América Latina.
A cidade que mais cresce no Mundo.
E o Conde Matarazzo é o italiano mais rico do Mundo.
E o homem mais rico fora da Pátria de Lincoln. E de Ford. E do fox-trot.
Tarde. Avenida Paulista. Plátanos. Palacetes suntuosos.
Trianon. Moças elegantes. Alunas de Madame Poças Leitão.
Palacete mourisco. Uma linda turquinha passeia no jardim.
Palacete renascentista. O filho do Cav. Uff. sai numa Isotta-Fraschini.
O pai da turquinha começara como mascate.
E o Cav. Uff. como colono. Quase escravo. Numa fazenda da Mogiana.
Jardins. Os bairros. "Bungalows". "Chalets". Alamedas. Arborizadas.
Escurece. Noite. Estrelas. Jaci. Garoa. Frio.
Um "rendez-vous" perto da velha Academia.
Jazz-band. Charleston. Maxixe. Luzes de néon. Polacas.
Francesas. Champanha. Charutos. Cigarros. Piteiras.
Teatro Municipal. Reminiscências. 22. A Semana. Pinturas.
Poesias. Vaias. Aplausos. Futurismo.
Saudades. Infância. Santo Amaro.
O cemitério. Bento do Portão. A Igreja. O Largo.
O casarão imortalizado por Paulo Eiró.
Praça Floriano. A nossa casa. Roseiras.
Na janela tinha um limoeiro que vivia carregado.
Mais lembranças. Minas. Alterosas. Sertão. Oeste.
Oeste. Alto São Francisco. A cidadezinha da mãe.
Casarões coloniais. Igrejas. Fazendas.
Brejos. Saracuras. "Três pote'. Três pote'".
Ainda mais lembranças. Tosse. Sangue.
Trem. Montanha. Um rancho na Mantiqueira.
Araucárias. Pedra do Baú. Casas baixas. Caboclos.
Modinhas de viola. Cigarros de palha. Inverno.
Frio quase siberiano. Geada. Primavera. Floradas.
Pessegueiros. Pereiras. Cascatas. Pinheiros.
Morte do Bezerra. Colega de quarto e de doença.
Cemitério. Ciprestes em fila. Viúva. Choro. Coroas de flores.
Cura. Volta pra casa. Paro de recordar. Amanhece. Fim.
Canção das Águias
Eleva-te no azul! Corta-o, serena e forte...
Rasga o seio à amplidão! Embriaga-te no arrojo
do vôo triunfal! Deixa que estruja o Norte,
que o mar rebente em fúria e levante do bojo
as potências revéis e as ciladas da morte!
Atira-te no espaço!
E, se um dia, singrando os céus, vieres de rôjo,
rôtas as asas de aço,
ferido o coração, a alma descrente,
não te abata o cansaço,
do oceano, atro e fatal, não te sorva a torrente...
Grita, forceja, anseia e combate impoluta!
Morre a lutar!
Morre na luta!
Mas, antes de morrer, tenta ainda voar!
(Transcrito da pág. 5 do "Poemario da Vida Heróica" – Rio de Janeiro – Livraria Clássica Brasileira – 1955 – 39 págs. Coleção "Águia Branca".)
* Plínio Salgado tinha 22 anos quando escreveu esta Poesia.



